Sob a proposta “Semba & Jazz é Fixe”, o Centro Cultural Manuel Rui viveu uma noite de profunda celebração artística, marcada pela abertura da reinaugurada sala em homenagem ao ícone da música angolana, Justino Handanga.
A abertura esteve a cargo de Florêncio Handanga, que, com forte identidade ovimbundu, conduziu o público por narrativas musicais enraizadas nos ritmos ancestrais, evocando memórias, sentimentos e a essência cultural.
O jazz ganhou forma no sopro refinado do saxofonista Ricardo Toscano, cuja sonoridade trouxe uma dimensão envolvente e introspectiva, conduzindo a audiência por atmosferas densas e emotivas. A esta experiência juntou-se Jéssica Pina, cujo trompete, simultaneamente delicado e expressivo, acrescentou cor e intensidade à noite, criando momentos de rara sensibilidade artística.
O diálogo entre instrumentos intensificou-se com a presença da percussão e da bateria, que imprimiram ritmo e pulsação, traduzindo em som a força e a vitalidade africana. Neste ambiente de fusão, destacou-se também Toty Sa’med, que trouxe a palavra poética, ancorada em vivências e identidades, enriquecendo a experiência com uma dimensão literária e reflexiva.
A irreverência criativa de Jay Lourenço acrescentou ao espectáculo uma energia distinta, marcada pela liberdade interpretativa e pela capacidade de transportar o público para territórios sensoriais menos convencionais, onde a arte se reinventa e desafia percepções.
Mais do que um concerto, a noite afirmou-se como uma verdadeira manifestação cultural, onde o Semba e o Jazz se entrelaçaram, unindo o saxofone e o trompete aos instrumentos tradicionais, às línguas e aos ritmos que definem a identidade angolana.
Um encontro memorável que reuniu líderes, artistas e amantes da cultura, celebrando a música como linguagem universal e ponte entre mundos.
CONCERTO SEMBA E JAZZ É FIXE
Realização: Mincult & CCMR
Produção: Luz de Neón
Promoção: Nascy Balaca