Pontualmente às 21 horas, Salú Gonçalves dava as boas-vindas ao Show do Mês, que, nesta edição especial, escolheu hospedar-se no Huambo.
A tela apagou-se e, logo, Edna Mateia trouxe a tocha, abrindo a noite com a celebração da beleza do Huambo através do tema Huambo Ofeka Yetu. Com voz nobre, como ondas de vento sopradas pelos espíritos ancestrais, cantava a nossa paixão e amor pela terra, pela gente e pela essência que nos define, coisas nossas. Vestindo verde e o Pindali, pano do Huambo, expressava esperança e representatividade cultural. E, claro, se era para viajar nos clássicos, o saxofonista soube “pressionar o acelerador”, fazendo a plateia vibrar logo nos primeiros instantes de uma das noites mais marcantes no Manuel Rui.
A representação nostálgica era apenas a introdução. Vieram, então, beijos com sabor a loengo e versos de coku ci panduila ku Suku, embalados na voz de Lito Graça.
Introduzida pelo piano e vestida com a elegância de modelo, a retractar a africanidade, surgiu Heróide dos Prazeres. As suas letras rasgavam a alma com tons como sal ou sol sobre pele exposta, infundindo dor ou prazer. Por que tão ambíguo? Porque era indescritível… sentível.
E que tal um flautista? O Show do Mês é espaço para o artista, e, de certo modo, até para o apreciador o ser. Vozes que abraçam, chorando as nossas dores e revivendo-nos sob os horrores, envolveram o público através de Alírio Gomes e Branca Celeste.
A festa aquecia. “El Hombre del Jazz”, ousamos chamar-lhe Jazz Lorenzo, pois Jay dá nome, na cena, a este turbilhão de sentimentos que, comumente, chamamos música. E, quando juntou pitadas de Kassongo, ficávamos perdidos entre o What e o Ndati, Éne!
Jacinto Tchipa surgiu como que trazido por um portal, evocado pela penetrante voz de Branca Celeste. Quando a alma já estava nas nuvens, pronta para chuvas de emoções, devolvia-se ao cenário a brisa leve de Yelela Tuende, novamente com Edna Mateia. Ainda havia muito por sentir, muito mais por viver.
Outro momento marcante deu-se depois das guitarradas que ensinavam ao sangue um novo ritmo de circular; numa batida, sol; noutra batida, lágrimas; quando Edna Mateia e todo o elenco feminino trouxeram Justino Handanga, formando um quarteto de puro encanto. Vale citar Bessa Teixeira, o mais velho da banda, um clássico vivo ao vivo, que tirava das raízes os toques e nos levava em viagem por sons tão característicos.
Entre baladas e romances, zouk e até kuduro na voz de Edna Mateia, houve uma fluidez de estilos que traduzia a nossa história e vivência.
Foi, sem dúvida, um evento memorável e, sobretudo, uma prova de que o Huambo ama a Cultura e se permite envolver e renascer através da arte.
E, por este amor partilhado e por ser missão do Centro Cultural Manuel Rui cultivar e massificar a cultura, promovendo o acesso à arte, temos ainda previstos eventos do género e não só. Um exemplo é o Show Internacional de Salif Keïta, já marcado para 14 de Setembro.
SHOW DO MÊS | Huambo é Banda
Realização: Nova Energia
CCMR - Pela Pátria, ao Serviço da Cultura.